8.5.12

Vida danada


“A felicidade é a única saída, quando a gente encontra na vida quem quer agarrar a tristeza" Rômulo Souza


Ver o sol nascer no horizonte,
tornou-me um jovem ser secular.
Se rimar é um erro,
construo a rima em torno do meu lar.

De minha infância travessa
à adolescência muda,
mudei a forma de vê-la
diante da vida astuta.

Fui escritor, filólogo, lingüista, ator,
ativista, intelectual, filósofo
e amigo. Mas me vanglorio por não ser demagogo
para fazer da dor um alívio.

Por isso, só sei rimar,
quando estou inspirado.
Dos amores perdidos,
conservo, aos montes, os sorrisos,
porque confundiram o ser amante
com o ser amado.

Não dependo de ninguém
para ser feliz. Ao contrário da tristeza
que sempre veio acompanhada.
Não me deixem as dores de sua jornada,
mas contem comigo para cicatrizar feridas
dessa vida danada.


5.4.12

Será mesmo realidade?

Há um tempo atrás, escrevi um texto sobre o Orkut e muita gente o definiu como um exagero por criticar as redes sociais. Eis que surge o Facebook. As minhas hipóteses tornaram-se realidade. Aliás, será de realidade mesmo de que estamos falando?
Chegamos à era da curtição. Seus “amigos” não dão um oi na rua, mas curtem tudo que você publica no “the wall”. As pessoas assanhadas te cutucam,como se estivesse em um ônibus lotado e a onda de solidariedade tomou conta de todos. Parece que o panorama antigo mudou. No entanto, efeitos positivos são pouco aproveitados.
A galera continua “vivendo” diante da tela do computador. E continuam as interpretações sobre o que fulano escreveu ou publicou. Hoje temos a possibilidade de criação de grupos de debate e podemos promover eventos de arte e cultura em qualquer lugar.
Ontem, era o tempo das caminhadas, dos encontros entre amigos, etc... Não que nada disso ainda aconteça, mas agora a foto tem que ir para o Facebook. O pessoal da informática se defenderá dizendo que sou catastrófico ou sensacionalista, mas quem diz isso não entende o cerne de minha discussão.
O cidadão moderno, já fragmentado, acostumou-se a viver de forma virtual. Afinal, tudo agora está no sistema. A sua faculdade, o seu trabalho, a sua identidade, o que você faz no dia a dia... Que coisa chata! É por isso que tenho poucas fotos no meu perfil, curto quem quero e ainda sou visto como um alienígena que ignora a “realidade”. 
Sou a favor dos sentidos e contra o monopólio de um único sentir. O computador treina muito bem a “visão cega” dos grandes defensores da difusão de um novo mundo. A vida, para mim, não pode ser resumida a uma caixa em que todo mundo acredita ter acesso ao “mundo” do outro. Seguir o perfil de alguém e achar que o conhece é uma das maiores falhas de nossa sociedade. Aliás, sempre bato na tecla de que o homem comum do século XXI é uma negação como ser social.

11.2.12

Lição

Como o bacharel da vida,
fui graduado com marcas do passado.
As disciplinas novas foram aparecendo,
enquanto buscava a quebra dos vínculos.

As pessoas são assim.
Afasto-me daquelas que estão próximas,
porque elas se distanciam com sua peculiaridade.

Por isso, amores perdidos,
vazios solitários,
procuram-me em meu pior momento.

Já as pessoas desconhecidas me conhecem
de alguma forma.
Talvez porque enxerguem de uma lupa mais próxima
por estarem distantes.

O mesmo faço com o meu ser
que se revira em diversas direções
para encontrar uma única.

Como o pós graduado da vida,
perco o senso do ridículo
e me deparo com o melhor de mim.
As disciplinas antigas desaparecem a cada lição.

Banho-me no esquecimento
para entender que tudo não passou.
Não passou ainda.

Não passou como a insônia de todos os dias.

Agora, o desafio é outro.
Como reunir tanto aprendizado
E não me perder nesse mosaico?
Afinal, estou fragmentado por ser prosaico.

Tenho a sensação mais assustadora
que um homem pode ter.
É hora de sofrer com a invisível calculadora do tempo
e começar a conjugar o verbo reaprender.
Pois, se a vida é um ciclo,
nada eu tenho a ver com isso.
Quero viver.